Dez, nove, oito... eu já estou bêbado. E puto. Todo o mundo enchendo o bucho e a cara. Pernil, Leitoa, Chester, Bacalhau, Lentilha, Tutu de feijão, Arroz e o cacete a quatro. Cerveja, Vinho, Vodka, Rum e toda a baitolagem que tinham.
Sete, seis, cinco... eu tenho uma taça na mão. Todos tem. E ninguém pensa em outra taça, senão a sua. Dinheiro, sucesso, felicidade, saúde, "amor"... pra mim! Você que se foda. Você que reze pelas suas conquistas. Meu deus me trará tudo o que quero, porque eu tenho fé. Rezemos por todos, mas que eu seja o centro das atenções.
Quatro, três, dois... eu tenho vontade de vomitar e ainda não comi nada. O sorriso de cada um é o soco no meu estômago. Todos riem por esperar algo melhor desse ano que virá e que será igual ao que passou. E será igual porque ninguém faz nada de fato.
Um, zero... Os fogos. A Champagne estourando. A serotonina induzida. Os rostos felizes. O abraço. As palavras. E tem tanta gente que não queria dizer nada. Não queria o abraço. E o faz! Faz tudo. Por fazer parte da cortesia imposta pelo tempo. Por achar que isso faz dela uma pessoa melhor. Por ela ser educada. Por ela ter compaixão. Por ela ser alguma coisa. As pessoas tem de ser alguma coisa.
Assistimos aos fogos. Barulho, explosão, luz, barulho. Comento com alguém que a luz dos fogos vem adiantada do som pela velocidade da luz ser maior que a do som. Foi uma das poucas coisas que eu disse na noite. Acho isso interessante. Reparo que após as explosões uma nuvem de fumaça toma o céu. Devíamos ter um espetáculo só de fumaças. O mundo tem muito mais a ver com fumaça do que com luz. E as fumaças tomam forma. Me lembram a época em que eu via coelhos de algodão nas nuvens. Mas dessa vez não eram coelhos. Não de algodão, pelo menos. Eram formas abstratas. Eram nada. Eram tudo. Eram a minha mente se expressando no escuro céu. Eram o underground. Eram eu.
Espero acabar com a paciência de que se fossem durar para sempre. E pareceram durar...
Hoje é dia primeiro de janeiro. Hoje é um dia como qualquer outro.
Egoísmo, falsas aparências, ambição...Tenho a impressão que nas festas de fim de ano isso tudo fica tão claro, pelo visto não só para mim. É difícil ignorar toda essa falsidade, toda a superficialidade, mas talvez essa seja a melhor forma de lidar com tudo isso, ignorando. Quanto a questão do ano novo, para muitas pessoas é só uma ilusão de mudança, uma forma de trazer esperança de que as coisas vão melhorar. De fato, tudo continua igual, mas acho que a vida fica muito melhor quando a gente fantasia, ilude-se, afinal o ser humano é dotado de imaginação e porque não usá-la para tornar a vida mais suportável? Porque se prender a realidade? Ás vezes, é preciso ter uma válvula de escape. Pense nisso. Beijo, Camille
ResponderExcluirConsidero a fantasia uma necessidade do homem, sem resquício de dúvida. Reconheço sua importância. Ela tem sua colaboração para termos chegado onde chegamos. No entanto, também considero as diferentes formas de se fantasiar e, consequentemente, os diferentes resultados obtidos com essas fantasias. Sobretudo, até mesmo a distinção do real e do ilusório já não é mais tão clara. Tudo pode ser qualquer coisa. E qualquer coisa pode ser tudo. Você define sua realidade. Você a encena assim como encena sua fantasia. A utopia é o horizonte inatingível. A cada passo dado em sua direção, ela, com igual precisão, se faz distante. E se me perguntarem, então, o motivo dessa crença, eu responderei que ela é quem me faz continuar caminhando. Mas a questão é para onde você caminha, baby.
ResponderExcluirIgnorar um fato é se acomodar a ele. Acho essa a forma mais fácil, por não ser tão trabalhosa. O homem tem tendência à preguiça. Mas não acho que seja a solução. Você manter a ignorância sobre um fato - e entenda essa ignorância como o desconhecido - pode ser a melhor forma de lidar com tudo isso. Mas a partir do momento que se toma consciência dele, ignorar já não resolve. Acomodar-se é tão difícil quanto ir em frente.
Por fim, não posso discordar da necessidade da válvula de escape. Acho que ela é tão presente quanto qualquer outra coisa dita aqui. E eu penso e pensarei nisso, até que eu encontre as minhas.
Agradeço a atenção e, acima disso, o carinho, broto.
Beijo,
Marcelo
Espero que você defina sua realidade de forma um pouco menos pessimista, usando esse limite tênue que a separa da imaginação. E que tudo isso, te leve a um caminho feliz, seja ele qual for.
ResponderExcluirJá que você considera como um conformismo, que seja. Tenho preguiça do mundo mesmo, eu me acomodo, afinal a minha revolta não solucionou nada, só me rendeu chateações desnecessárias. Quando você descobrir a solução, me avise.
De nada Marcelo, beijo.
Se há uma solução eu não espero encontrá-la sozinho, broto. Todos os que se fazem próximos cooperam, mesmo que implicitamente. E dessa ligação todos se beneficiam. Se a descoberta se manifestar, você saberá.
ResponderExcluirNão tomei como um caso pessoal minhas palavras. E nem me coloco como a verdade suprema. Pelo contrário, apenas tento justificar esse confuso jeito meu.
Mais uma vez agradeço a atenção e o carinho, broto.
Beijo,
Marcelo