sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DE PONTA CABEÇA

Nenhum homem deveria ter o direito, sobre outro, de afirmar ser seu aquilo que é bem comum da Terra, que é bem comum de todos.
O homem tem o dever de viver em harmonia com a natureza e, numa relação recíproca, dar e oferecer bens (e entenda esse "bens" no seu sentido mais amplo). E quase o faz, se não esquecesse a reciprocidade e o papo de harmonia.
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". E o homem transforma!... Mas transforma tanto, que o acumular passa ser mais importante do que a necessidade. Não a própria necessidade de quem transforma, que já foi saciada há tempos. Não a necessidade do HOMEM. Mas sim a necessidade de quem ainda espera para ser saciada, a necessidade que não mais grita. A necessidade dos HOMENS. E não mais grita não porque perdeu as esperanças, mas porque não tem mais energia pra continuar. Porque seu grito já foi muito calado. Porque seu grito já apanhou. Já sangrou. Já foi morto.
O mundo prossegue. Não tem como parar. Porque diabos não se pode parar a Terra?! Maldito sonho, Raul! Agora tento acordar nele também.
Desgasto-me, corroo-me, acabo-me, canso. Canso de ver tanta baboseira ser colocada em primeiro plano enquanto a tal necessidade ainda espera por saciar-se. Canso de ver a Terra se transformando, como se transforma, como "a" transformam, como a estragam. O HOMEM suga tanto quanto consegue sugar. E OS HOMENS continuam necessitando. O mundo é um paradoxo virado de ponta cabeça.
E eu tentando ficar em pé...

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